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terça-feira, 23 de março de 2010

Medra eleitoralmente o nacionalismo emancipador no Estado francês

Corsos, bretons e ocitanos apostam cada vez mais polo autogoverno e os seus direitos nacionais como povos. A sociedade civil mais consciente demanda com maior força de cada vez a instituiçom dumha Europa dos povos.

Fóra de Elsàss -onde os nacionalistas nom passárom a primeira quenda, e onde seguirá a gobernar a direita- e na Lengadòc e Catalunya Norte (Languedoc-Roussillon, em francês) -com a maioria absoluta conseguida pola formaçom do xenófobo George Frêche- os resultados en Breizh, Ocitánia e Córsega fôron muito possitivos como assinala o jornal galego Vieiros.

Córsega
A medra do nacionalismo emancipador em Córsega serviu para que na Assembleia nom se estabeleça nengumha maioria absoluta e, por cima, provoca a caída da direita, ao tempo que será decisivo para aprovar normas, com o que isso pode supor para o autogoverno da ilha.

Femu a Corsica, a lista autonomista liderada por Gilles Siméoni, obtivo um histórico 28,59% dos votos, mentres que os independentistas de Corsica Libera, encabezados por Jean-Guy Talamoni, apanhárom a nada desdenhável cifra do 11,21%. As candidaturas francesistas obtivérom 29'48% no caso da conservadora de Camille de Rocca Serra, e a progressista de Paul Giaccobi leva o triunfo com 30,72%.

A importáncia do resultado de Femu a Corsica mostra-se com maior evidência nas duas principais cidades da ilha, Aiacciu e Bastia, onde se situou como segunda força política, e em Portivechju, outra importante localidade, onde foi a ganhadora das eleiçons. Algo se move na direcçom certa na ilha, tamém para o arredismo libertário.

Ocitánia

Na Ocitánia, a naçom onde nasceu a moderna poesia Ocidental, dividida por París em vários departamentos logo agrupados em regions, por vez primeira haverá cinco representantes do Partido Ocitano (PÒC), formando parte das listas conjuntas com Europe Écologie.

Os conselhos regionais de Auvèrnhe, Aquitània e Miègjorn-Pirenèus, com cadanseu, e Provença-Aups-Còsta d'Azur, com dous, terám deputados ocitanistas. Regions todas, ademais, que serám governadas polos socialistas com apoios o que pode reforçar o seu papel nos próximos anos.

Breizh

Ainda que os nacionalistas bretons melhorárom a sua representaçom, os socialistas de Jean-Yves Le Drian (50,92%) governarám em solitário outros seis anos mais em Breizh.

Europe Écologie, lista onde se integrou a Unión Democrática Bretoa (UDB) logrou 17,21% dos sufrágios, que em teoria outorgarám aos nacionalistas quatro deputados, un mais ca em 2004.


Som boas novas para a construçom dumha Europa dos povos, alicerce fundamental para umha outra globalizaçom ascendente que se oponha a globalizaçom ultraliberal descendente.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

História do arredismo em Córsega

Trás o ronsel de Pasquale Paoli

[adaptado do jornal electrónico Vieiros]

Em 1755 declarou-se independente e en 1769 foi anexionada pola França. Dous séculos despois, com a chegada dos pieds-noirs, o movimento de libertaçom en Córsega reage definitivamente.

Bonifaziu, no sur / Flickr: Pluca


O movimento de libertaçom corso actual remonta-se a finais da década de 1950. O povo manifesta-se em massa em contra da criaçom por parte da França dum centro de experimentaçom nuclear perto da capital histórica da Córsega: Corti.

A cidadania rebela-se por completo a princépios dos 60 perante o que considera umha nova invasom francesa: a chegada dos pieds-noirs (pés negros), colonos galos em Algéria aos que o Governo da República financiou a sua "recolocaçom" na ilha logo da independência algerina em 1962. Muitos destes figérom-se com adegas e figérom-se grandes fortunas froito da produçom vinícola.


Historicamente, Córsega estivo baixo o domínio de várias potências mediterráneas, principalmente dos genoveses na Renascença. A rebeliom contra o péssimo Governo de Génova em 1729 levou a um período turbulento, durante o que se originou o conceito de vendetta, que culminou com o estabelecimento da República corsa polo líder nacionalista Pasquale Paoli.


Córsega foi anexionada pola França en 1769, o mesmo ano em que nasceu na ilha um corso ilustre, para uns, e um traidor da naçom, para outros: Napoleom Bonaparte. O que com os anos se converteria em imperador da França e o heroi nacional corso conhecem-se em Julho de 1790.


O primeiro, jacobino, e o segundo, mais próximo ás teses dos girondinos, racham relaçons em 1793. Bonaparte ten que fugir de Córsega, e logo dumha breve estáncia no continente, desembarca em Aiacciu com a armada republicana francesa com o fim de acabar com a revolta dos partisanos de Paoli.


Língua

O francês impúxose como única lingua oficial em todos os ámbitos da Administraçom. O corsu sobreviveu como língua oral e proibiu-se o italiano. Porém, nom foi até princípios do S.XX, quando se fixo obrigatório o francês nas escolas, que a língua própria da naçom começou a declinar.


Ainda que o seu uso pouco a pouco se normaliza na educaçom, na actualidade cada vez menos moços e moças tenhem o corso como primeira língua (ou o ligur, na vila de Bonifaziu). Ademais, a tendência é a usar o francês em ámbitos formais e o idioma próprio na casa e noutras relaçons sociais.


O corso está estreitamente emparentado com o toscano. Fala-se em todo o território e mais na ilha da Madalena, ao Noroeste da Sardenha. Os habitantes de Córsega que nom usam o corso som franceses chegados do continente ou pieds-noirs. Os oriúndos do país falam-no ou sabem-no falar, e o seu uso converteu-se num símbolo de identidade face o colonialismo francês.


Do regionalismo ao independentismo

O movimento nacionalista, que nasceu regionalista, foi-se diversificando na década de 1970. Nestes anos surdem diversos grupos armados, assi como tamém organizaçons para-policiais com o fim de combater o nacionalismo corso. Em 1975, a formaçom autonomista Acçom polo Renascimento Corso (ARC) decide intensificar a sua actividade. A primeira acçom violenta tem lugar em Agosto deste ano.

Em 1976 forma-se a Frente de Libertaçom Nacional de Córsega (FLNC, Fronte di Liberazione Naziunale di Corsica), froito da suma de vários grupos. A FLNC, que tomou tanto o nome como o sistema de organizaçom frentista e interclassista do movimento anticolonial algerino, exigia entre outras cousas a independência da ilha e a expulsom dos pieds-noirs.

Até 1983, ano em que oficialmente fica desarticulada, a FLNC levou a cabo vários ataques contra os “continentais” e as suas propriedades. Em 1987 cria-se Cuncolta Naziunalista, braço político do FLNC.

Durante o segundo mandato do presidente francês François Mitterrand, en 1991, apróbase umha lei que lhe permite a Córsega ter umha autonomia especial (Colectividade Territorial Específica). Mas o Tribunal Constitucional, em 1993, reprova a inclusom da referência ao "povo corso", porém era como "parte do povo francés". Instituiçons do Estado temem demais a reacçom em cadeia doutras naçons que reclamam status similares, como a Ocitánia ou a Savóia.

Nos seguintes anos, as luitas internas no nacionalismo corso provocam numerosos mortos. Em 1998, o prefecto -delegado do Governo francês em Córsega-, Claude Erignac, morre assassinado na ilha. Sendo Lionel Jospin primeiro ministro, a França cede-lhe mais autonomia em temas educativos e económicos ao Governo da ilha, o que provoca profundas críticas de todo o abano político francês.

Processo histórico no nacionalismo

Em 2003, os corsos enjeitárom em referendo umha proposta que lhe outorgaria mais autonomia à ilha. O daquelas presidente francês, Jacques Chirac, pedira o voto favorável para rematar com 30 anos de violência. O seu home forte, o daquelas ministro do Interior, Nicolás Sarkozy, fixo umha inédita campanha polo 'Si' numha 'regiom' tradicionalmente hostil com Paris.

Dous dias antes da votaçom, a Polícia francesa detivo o militante nacionalista corso, o gandeiro Yvan Colonna, acusado do assassinato do prefeito Erignac cinco anos denantes. Hai tam só umhas poucas semanas começou o seu juízo de apelaçom.

O principal partido nacionalista corso é Corsica Nazione Independente, arredista e oposto a violência, que agrupado com outras duas formaçons autonomistas dentro do grupo Unione Naziunale ostentam oito dos 51 representantes da Assembleia Regional (Corsica Nazione tem tres, que chegárom a ser oito no período 1999-2004).

O independentismo corso ratificou este ano o processo de unificaçom acordado em Maio de 2008. As principais formaçons da corrente secesionista -Corsica Nazione Independente, Rinnovu, e en menor medida, l'Accolta Naziunale Corsa e Strada Dritta- anunciáron oficialmente o passado 5 de Fevereiro em Corti a sua disoluçom e a convergência numha nova e única força: Corsica Libera.

Cançom da Córsega em corso: